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Artigos mosteiro › 23/11/2012

Serva de Deus Madre Tereza Margarida do coração de Maria Nossa mãe

Desde a Abertura do Processo de Beatificação da Serva de Deus Madre Tereza Margarida do Coração de Maria, muitas pessoas têm nos procurado para conhecer mais sobre sua vida, seus escritos e ensinamentos.

Como filha espiritual, sinto-me muito à vontade de falar sobre a “Nossa Mãe” e contar um pouco daquilo que testemunhei.

Em primeiro lugar gostaria de explicar o porquê do nome “Nossa Mãe”.

Era costume no Carmelo, e ainda hoje alguns ainda conservam, de chamar de mãe à fundadora do Mosteiro. Madre Tereza Margarida fundou o Carmelo São José, no daí 16 de julho de 1962, em Três Pontas- MG. Nós, suas filhas, a chamávamos de “Nossa Mãe.” E, de fato, ela exercia uma maternidade espiritual muito grande sobre nós. Mas não no sentido de dependência, de infantilismo. Nossa Mãe nos formava para maturidade e responsabilidade. Sua maternidade era mais no sentido de zelar pelas nossas almas, de nos guiar nas sendas das virtudes, da santidade. Tudo isso, é claro, passava também pela preocupação com nossa saúde, nossas famílias, enfim, com tudo o que nos ajudasse a servir melhor a Deus.  O mesmo carinho que tinha conosco, a preocupação e zelo de mãe, ela também tinha para com o povo que ela tanto amava e se doava.  Com o passar do tempo, a cidade inteira passou a chamá-la de Nossa Mãe. E assim, até hoje, ela é conhecida.

Madre Tereza Margarida do Coração de Maria, cujo nome de batismo era Maria Luiza Resende Marques, nasceu no dia 24 de dezembro de 1915, em Borda da Mata – MG. Seus pais, Francisco da Costa Júnior e Mariana Resende Costa, uniram-se em matrimônio constituindo um lar alicerçado no amor. Dessa união nasceram 12 filhos. Maria Luiza é a quinta filha do casal.

Sua infância foi sempre cercada de muito afeto, tanto dos pais como dos avós. Seus pais desejavam que os filhos pudessem estudar e aprender alguma profissão, pensaram então em procurar uma residência em cidade maior. Assim a família mudou-se de Borda da Mata para Cruzeiro.

Na casa nova viveram dias felizes entre passeios, ensaios de teatrinhos, aprendizagem de cantos  e cuidados do jardim- mas sobretudo recebendo com o amor da família o amor a Deus e o exemplo da bondade dos pais.

Seu pai apesar de viver os valores cristãos, sendo muito bom, correto, honesto, acolhedor, não praticava a religião. Em uma visita ao Santuário de Aparecida, por conta própria procurou um sacerdote, confessou-se e fez a Primeira Comunhão. Esse fato marcou muito a família.

Outro fato importante foi a vocação do seu irmão João ao sacerdócio. Era o filho mais velho dos homens. No início o pai não compreendendo a vocação do filho, relutou em aceitar. Mas, a graça venceu…  Tornou-se sacerdote , Bispo  de Ilhéus e Arcebispo de Belo Horizonte.

Maria Luiza sentiu o primeiro sinal de consagrar-se a Deus em uma visita ao Santíssimo Sacramento na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Antes ainda, soube da entrada de uma jovem ao Carmelo que fora sua companheira no Colégio. Tudo isso ia despertando sua vocação.

Dirigindo-se à biblioteca das Filhas de Maria com o desejo de pegar algum livro para discernir melhor a vontade de Deus, uma moça desconhecida indicou-lhe um livro. Depara-se com as Memórias de Ir. Elisabeth da Trindade. E foi assim que Elisabeth tornou-se a irmãzinha de minha alma, confidenciava às Irmãs.

Quantas dificuldades teve que superar para realizar seu sonho!

E assim, aos 29 de maio de 1937, abençoada pelos pais, com o coração partido de saudades, ingressou na clausura do Carmelo Santa Teresinha, de Mogi das Cruzes.

Um grande abalo veio ainda provar sua vocação. A morte seu pai, no dia 20 de junho de 1037, portanto apenas vinte dias de sua entrada no Carmelo. Com o rigor da clausura não pôde despedir-se do seu pai, nem confortar sua mãe e irmãos. Assumiu este desafio na fé, procurando ver em tudo a mão de Deus.

Os primeiros passos na vida conventual, que como se sabe, não é mesmo fácil para qualquer pessoa,  para ela também não foi. Estava também a luta com a própria saúde e o abraçar uma vida tão diferente daquela que deixava. Entregou-se à ação de Deus, fazendo o que lhe era solicitado.

Recebeu no Carmelo o nome de Tereza Margarida do Coração de Maria. Ela dizia que o Coração de Maria era o lugar de encontro de Tereza e Jesus.

O período de formação transcorreu sereno. Vencido esse tempo, chegou o momento da Profissão Solene emitida em 02 de fevereiro de 1942.

Exerceu vários cargos no convento. Foi eleita Sub-Priora, mestra de noviças e finalmente, foi-lhe entregue uma nova fundação- o Carmelo São José, de Três Pontas! Em meio a tudo isso, enfrentou em todos os momentos de sua vida, sérios problemas de saúde.

 A casa onde estava o Carmelo de Mogi das Cruzes era improvisada, adaptou-se para isso uma antiga Igreja do lugar, porém as celas das Irmãs ficaram mal instaladas, de  sorte que não recebiam muita luz solar, estando sempre a casa úmida. Isso prejudicava a saúde das Irmãs.

Por esse motivo, o Carmelo de Mogi das Cruzes  mudou para Aparecida do Norte.

Sua vida no Carmelo de Aparecida era feliz. Um dia, quando menos esperava, deu-se início, na obediência aos desígnios de Deus, quando então Nossa Mãe foi indicada para fundar um Carmelo na Diocese de Campanha, mais precisamente na cidade de Três Pontas. Nunca pensou em empreender uma fundação. Uma vez decidida, e ao saber, que o novo Carmelo seria de São José, ela disse: “Para São José, eu nada posso recusar, porque Ele nunca me recusou nada.”

Os desafios foram grandes para a construção do prédio onde até hoje vive uma comunidade feliz. Não havia no início recursos nem financeiros nem humanos. Entretanto, havia sim uma coisa importante, a confiança na Providência Divina.

Tudo se realizou segundo os desígnios divinos. Aos poucos foram chegando novas vocações e benfeitores. Com o tempo, o Carmelo ficou conhecido e querido por todo o povo.

Nossa Mãe, através da sua acolhida misericordiosa, da sua oração, do seu sorriso meigo e encantador, conseguiu fazer um bem muito grande a todos aqueles que a procuravam para pedir orações, conselhos, enfim, uma luz para suas vidas.

Tinha sempre a palavra certa que iluminava e orientava qualquer situação. Possuía o dom do discernimento e sabedoria muito elevados. Pudemos experimentar isso em pequenas coisas do dia a dia,  como também em casos difíceis e delicados.

Para nós que tivemos a graça de conviver com ela mais de perto, percebíamos que nutria um amor muito grande à Ordem. Era uma perfeita filha de Santa Tereza e São João da Cruz. Procurava viver do melhor modo possível o ideal carmelitano da Santa Madre, tão bem proposto no Caminho de Perfeição. Fazia absoluta questão de viver as observâncias da Regra e Constituições Carmelitanas, sempre, porém alimentadas pelo amor e não pela letra que mata. Disso somos testemunhas pela sua fidelidade a todos os atos comunitários. Mesmo quando sua saúde era fraca e exigia dela grande esforço.

Hauria força na liturgia, na oração, na intimidade com o Senhor. Na Santa Missa, ponto alto de sua espiritualidade, retirava o alimento necessário para sua vida de esposa, consagrada a Deus.

Seu amor à Nossa Senhora levou-a a celebrar mais festivamente a Solenidade de Nossa Senhora do Carmo. No mês de maio gostava de fazer homenagens simples, mais cheias de carinho, à Nossa Senhora.

Ao nosso Pai São José, escreveu um caderninho de meditações para cada dia do mês.

Nossa Mãe vivia mergulhada no mistério de Deus. Sua espiritualidade é tão vasta e ao mesmo tempo tão simples, que ainda não aprofundamos o suficiente dessa alma toda imersa na Trindade.

Assim como viveu, morreu. Adormeceu no Senhor, no dia 14 de novembro de 2005. Muito nos edificou no período da doença, pela sua paciência, seu abandono, sua fé e fortaleza.

Convivemos com uma Santa que viveu a vida que nós vivemos. Mas a viveu com um amor tão grande, tão intenso, que não media esforços, sacrifícios para ser fiel até o fim.

Sou muito grata a Deus pela graça de ter convivido com Nossa Mãe e de agora poder apresentar ao mundo um exemplo de santidade, de amor, de doação.

Devido ao crescimento de sua fama de santidade e de graças alcançadas, nosso Bispo Dom Diamantino, fez o pedido em Roma para abertura do Processo de Beatificação. O pedido foi aceito. A abertura do Processo deu-se no dia 4 de março de 2012, na Matriz Nossa Senhora d’Ajuda, na cidade de Três Pontas- MG.

Rezemos para que suas virtudes sejam reconhecidas oficialmente pela Igreja e Nossa Mãe seja declarada  a primeira santa Carmelita brasileira.

Irmã Maria Elisabeth da Trindade (Carmelo de Três Pontas)



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