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Liturgia diária
Evangelho: 3ª-feira da 24ª Semana do Tempo Comum
Santo: São Januário


Os Ceus Cantam a Gloria do Senhor

“Os céus cantam a glória do Senhor”
Eis o que narram os céus: a glória de Deus.
Ao iniciar esse artigo vem à minha memória muitas lembranças…
Falar da afinidade da Serva de Deus Madre Tereza Margarida do Coração de Maria, “Nossa Mãe” com a Santa Elisabeth é algo muito profundo, pois ambas ‘mergulharam’ profundamente no mistério da inabitação divina.
Vou narrar fatos que pessoalmente testemunhei e outros recolhidos dos escritos de Nossa Mãe.
Nossa Mãe e eu partilhávamos ‘nossas descobertas’ na espiritualidade de minha querida Elisabeth horas a fio. Era mesmo algo divino. Ambas, encontrávamos em Elisabeth alimento para a nossa vida.
O encontro de Nossa Mãe com a espiritualidade de Santa Elisabeth da Trindade aconteceu ainda antes de sua entrada no Carmelo. Foi um encontro decisivo e marcante que selou um vínculo que perdurou até o fim de sua vida.
Foi Elisabeth que lhe confirmou que o Carmelo era o seu lugar. Ela mesma narra o fato:
“Esqueci-me de contar como tive a plena certeza de que Jesus me queria no Carmelo. Estava no pequeno salão paroquial, junto à matriz velha procurando um livro na biblioteca e parece que eu pedia a Deus que este livro me abrisse os horizontes, para ver clara a vontade de Deus pois, ainda alguma coisa fazia-me temer, não me dando coragem para uma resolução segura, firme. Pensando nisto, pedi a Nosso Senhor o seguinte: Vou pegar um livro na biblioteca da Pia União das Filhas de Maria, e este livro que eu pegar vai mostrar-me o que devo fazer. Estava diante da estante dos livros quando uma mocinha simples, da Pia União, mas desconhecida para mim, disse-me: “Este livro aqui é muito bom.” Falando-me, indicou-me o livro. Tirei-o imediatamente da estante e vi o título: “Memórias de Ir. Elisabeth da Trindade”.
Levei-o para casa, e comecei a lê-lo. Tudo nele encantou-me, e o Carmelo surgiu em meu coração, e nunca mais dele saiu. Elisabeth tornou-se a irmãzinha de minh’alma. A união com nossos hóspedes Divinos, Pai, Filho, Espírito Santo tornou-se o sol de minha vida. Agora, já sei que Deus me quer no Carmelo.
Encantei-me com nossa Elisabeth, e fiz dele o meu livro de cabeceira. Vi claramente que o Carmelo era o lugar de minha realização. E nunca mais tive nenhuma dúvida de minha vocação”.
Desde então se iniciou uma amizade muito grande entre elas.
Estando já no Carmelo, Nossa Mãe recebeu de Madre Raimunda, fundadora do Carmelo de Aparecida, o livro: Doutrina Espiritual de Ir. Elisabeth da Trindade, do Pe. M. Philipon Era em francês. Esse livro a acompanhou até o fim. Nós a víamos com ele na oração, nas aulas, nos retiros. Era-lhe inseparável. Na espiritualidade de Santa Elisabeth, toda centrada na Palavra de Deus, Nossa Mãe forjou sua alma numa configuração total com Cristo.
Quando era nossa Mestra, dizia para nós no noviciado: “Elisabeth, nunca deixou de me encantar e ensinar”.
Vou partilhar algo muito pessoal e significativo em minha caminhada no Carmelo:
Certo dia, Nossa Mãe chamou-me e disse: “Filhinha, desejo ensinar-lhe uma coisa que faço há muitos anos e quero que você também faça, pois isso a ajudará: No último dia do ano, tiro uma sorte no ‘Último Retiro de Elisabeth da Trindade, para fazer o meu programa espiritual do ano. Isto me faz bem. E como você gosta tanto de Elisabeth, isto também lhe fará bem”.
Desde então nunca mais deixei de fazê-lo.
Dentro do seu livro, havia um cartão aonde ela anotava todas as datas e ‘sortes’ desde que começou. Era fiel a isso.
E um dia, era meu aniversário, ela presenteou-me com um livro igual ao seu, em francês, no qual deixou sua dedicatória. Guardo-o como uma relíquia.
Lemos em suas Memórias:
“Hoje, 2 de novembro de 1980, no segundo dia de meu retiro particular, às onze e meia da manhã, inicio em nossa cela a tradução deste livro: ‘Sponsa Verbi’, de Dom Columba Marmion. Faço-o para as noviças que se preparam para a profissão. Este livro, junto com o de Elisabeth da Trindade e o “Deus em nós” do Padre Plus, foram os livros espirituais que mais me fizeram bem. Deus em nós’ e Elisabeth, li-os ainda em casa. Este, ‘Sponsa Verbi’, li-o nos primeiros dias de meu postulantado, em Mogi das Cruzes, em 1937”.
Elisabeth sempre a acompanhava em seus retiros:
“Ó meu Amado, já deixei o vosso sacrário, são oito e meia. Dei-vos o meu beijo e disse: Obrigada Jesus, até o céu, ou até o ano que vem. Que retiro maravilhoso! Como sempre o fiz com Elisabeth. Tirei a sorte na primeira manhã de meu retiro e saiu o capítulo em que se comenta sua oração: Ó meu Deus, Trindade que adoro. Foi tão bom! Meu ramalhete: Ó Verbo Eterno, Palavra de meu Deus, quero passar a vida a vos escutar. Quero ser a menor da casa – pois sou a pior – e quero servir a todas. A Comunidade vai tão bem! Agradeço-vos, meu Deus. Que eu viva e morra de amor para vossa glória”.
Era essa sua oração:
“Gosto de rezar o terço no tempo da oração, quando Jesus me deixa fazê-lo – solidão da alma de Maria. Sempre a Bíblia e Elisabeth”.
No ano 2000, nosso Carmelo de Três Pontas fez uma nova fundação. Saiu um grupo de Irmãs para fundar o Carmelo da Santíssima Trindade e do Imaculado Coração de Maria, na cidade de Patos de Minas –MG.
Nossa Mãe preparou as Irmãs fundadoras e procurou, ela mesma, traçar o programa espiritual do novo Carmelo. Encontrou a palavra chave nas obras de Elisabeth:
Hoje, na hora da Missa, a nossa fundação de Patos de Minas esteve muito presente no meu pensamento, no meu coração. Talvez isto aconteceu, porque ontem à noite eu achei no livro de Elisabeth, do meu uso, o apontamento a respeito do programa espiritual deste nosso futuro Carmelo: “Exprimir o Cristo aos olhos do Pai”. Eis a citação: “Tenho, pois, de estudar este divino Modelo a fim de identificar-me tão bem com Ele que O possa exprimir sem cessar aos olhos do Pai” (Décimo quarto dia – Último Retiro)
No mesmo programa deixou escrito:
Precisa a carmelita ler, instruir-se na doutrina de Santa Madre, do Santo Pai João da Cruz, de Teresinha e Elisabeth, Teresa
dos Andes, Edith, etc. Enfim, ler e imbuir-se daquilo que é nosso”.
A fusão dessas duas almas deu-se não só espiritualmente, mas também na carne. A exemplo de Santa Elisabeth que desejava morrer
transformada em Cristo Crucificado, Nossa Mãe, a Serva de Deus Madre Tereza Margarida, consumiu sua vida numa aceitação amorosa e
resignada da vontade de Deus:

“…Esta doença foi doença divina… e “morte em vida trocou-se para mim… e toda a dívida paga.” Como é bom estar nas mãos, no coração de nosso Deus! Como saboreio o seu amor, a sua ternura! Falei da doença, mas agora, quero falar daquilo que Jesus fez em mim, e continua fazendo, que me parece ter eu morrido, e que Ele só, está vivendo em mim. Bondade, Misericórdia d’Ele, que olhou a pequenez da sua serva.
Compreendo e experimento cada vez mais, que só o Amor salva, santifica, agrada e glorifica a Santíssima Trindade, nosso Deus
Amor. Porque o Amor é força, é doação ao irmão, é a vida em Deus, com Deus, para Deus, que nos pede amor, e nos dá amor…Como é bom amá-Lo e deixar-se amar!”

Ambas, calmas, fortes, ao lado do divino Crucificado, galgaram também seu calvário, cantando no íntimo da alma, e elevando ao Pai um hino de ação de graças, porque os que andam nessa via dolorosa são “aqueles que Ele conheceu e predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho”, o crucificado por amor!
(8º dia – Como encontrar o Céu na terra).
Agora, que estão na glória, peçamos a intercessão dessas duas santas Carmelitas para que, como elas, vivamos de amor, para morrermos de
amor.
Santa Elisabeth da Trindade, rogai por nós!
Serva de Deus Nossa Mãe, rogai por nós!

Ir. Maria Elisabeth da Trindade, OCD
(Carmelo São José – Três Pontas -MG)



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